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Ação - Comece algo

Se arriscar

Muitas vezes perdemos oportunidades de crescimento por medo de começar algo novo. E esse medo é real e plausível, contudo, ele nos provoca estagnação e dores no longo prazo. Essa estagnação gera um desconforto e uma infelicidade enorme, no final, nos sentimos mal por não fazer nada e continuamos travados pelo medo. O medo de começar algo novo tem vários motivos, como: não se achar bom o bastante para fazer aquilo, medo da exposição e das críticas, medo do fracasso, medo de não saber por onde ir, etc.

A realidade é que quase sempre nos achamos insuficientes, e quando olhamos para os outros acreditamos que eles estão preparados e destinados a realizar muito mais do que nós. Algumas pesquisas revelam que esse é um sentimento generalizado e atinge todos os seres humanos, todos somos inseguros e baseamos o mundo a nossa medida. Como não sabemos o que o outro sente e pensa, acreditamos que nós somos o problema e que o outro é uma fortaleza; estamos sempre convencidos pelas aparências e pelo medo inato da rejeição.

Muitos livros abordam a questão da genialidade e da maestria buscando criar um ponto de encontro onde esses talentos convergem. E os dados apontam que os grandes talentos e as pessoas comuns enfrentam os mesmos desafios pessoais, porém, eles encaram as falhas e a limitação de uma forma diferente. Visualizam o problema como uma oportunidade de correção de rumo, o que no longo prazo culmina em grandes progressos. O autodesenvolvimento está relacionado com a capacidade de ir se ajustando conforme recebe feedback e percebe o mundo. Sem o ajuste não existe progresso, seríamos executores precisos, mas totalmente mecanizados. O ajuste cria uma construção cumulativa, a cada ajuste existe um incremento, e no decorrer dos anos essa soma gera resultados enormes.

Através da literatura descobrimos que os grandes talentos erraram muito e continuam errando. Inclusive muitos assumem em suas biografias e outros textos seus momentos de baixa e fracasso. Thomas Edison fez centenas de invenções, e somente algumas delas emplacaram, por exemplo, a lâmpada com filamento de metal. Sua vida foi marcada por inúmeros fracassos, mas o impulso obstinado por continuar fazendo algo era maior do que o medo de errar novamente. Muitos desses indivíduos encontraram sentido na vida, eles têm clareza de propósito e sabem o que querem. O psicólogo Viktor Frankl levanta em seu livro “Em busca de sentido” que ter uma direção, um motivo para lutar, nos faz superar quase qualquer obstáculo. Estar em busca de sentido na vida nos dá condição de continuar saudáveis e firmes em nossos propósitos.

Por isso é preciso dar o primeiro passo e se arriscar. O conhecimento só ganha substância quando o colocamos em prática. Não precisamos estar totalmente prontos para começar algo. Podemos começar pequeno, ir se ajustando durante o percurso e construindo uma base sólida e consistente de pequenas conquistas.

Nada grande é construído da noite para o dia. A literatura está repleta de exemplos disso, os grandes talentos em sua maioria percorreram caminhos árduos de prática diária, exposição pessoal e duras rejeições.

Precisamos ter coragem de dar o primeiro passo, e continuar dando os passos seguintes. Começar algo implica em ter coragem para dar o primeiro passo, e o autoconhecimento nos dá condições para continuar dando os passos seguintes.

Os momentos de baixas vão acontecer com relativa frequência, mas a consistência faz que no longo prazo os ganhos superem as perdas, esse é o segredo dos mestres. Quando acontece o momento de fraqueza, é necessário a reflexão, o ajuste, a correção de rumo. Com esse ajuste é possível dar o próximo passo e seguir na construção de algo grande.

Não espere ser o melhor orador para falar a primeira vez em público. Não espere ser o melhor escritor para começar um blog. Não espere ser ótimo para lidar com a câmera para gravar um vídeo. Não espere passar o medo para fazer aquela ligação importante.

O medo nunca passa, ele continua presente na vida de todos os indivíduos do começo ao fim. A busca por conhecimento e a reflexão diária nos permite contornar esses problemas e lidar com as dificuldades de forma proativa. Através da proatividade ao invés de reclamar da situação, nós corrigimos os problemas e mudamos o rumo das coisas.

O legado que os mestres nos deixam é a confiança de que o longo prazo retribui quem se esforça obstinadamente e que nada grande surge da noite para o dia.

Lucas Conchetto - 2018