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Luc Ferry

Aprender a viver

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O livro do filósofo Luc Ferry “Aprender a viver: filosofia para os novos tempos” (Editora Objetiva; tradução Véra Lucia dos Reis; 240 páginas; 25 reais) introduz o leitor ao universo da filosofia. Através de uma abordagem leve, sem excessos técnicos, o autor nos presenteia com uma rica aula sobre a história do pensamento.

O homem não nasce pronto; precisa aprender a viver. Diferentemente de qualquer outro animal, o homem nasce frágil, dependente e pobre de instintos para sobrevivência. Uma pequena tartaruga ao romper o ovo que a protege, ruma em direção à água, sem nenhuma instrução ou proteção. A pequena tartaruga sabe viver, seu programa instintivo a capacita para o mundo. Um gato ou um cachorro, por exemplo, são tão únicos, e no entanto, tão fiéis à sua natureza que não nos espantamos por seu comportamento. Já notou como um gato é irritantemente gato? Gato faz coisa de gato. O gato é em essência, seu programa instintivo lhe confere uma conduta previsível e fechada. O gato não supera sua própria natureza, assim como o passarinho, o cachorro, etc. O ser humano é outra história. Luc Ferry cita um exemplo muito divertido e curioso que define bem o homem. A pomba faminta diante de um filé, passa fome, o gato diante do alpiste, passa fome, a pomba e o gato não inovam, diante dessas situações eles morrem. O homem se passar fome, ele come o filé, come o alpiste, come a pomba e o gato. O homem inova, empreende, transforma, subverte, ele escolhe e por isso altera o curso da vida.

Por não ter um programa rígido e definido, o ser humano não sabe viver. Ele precisa aprender a viver. Não existe escola para gato ou cachorro, mas existe para ser humano. Embora os animais aprendam, sua janela é bem curta. O ser humano é o único animal que é educado. A educação do ser humano dura a vida toda, até seu último dia de vida o ser humano é afetado, transformado e educado. É preciso aprender a viver pois a vida é curta e complexa. Somos finitos, não temos todo tempo do mundo, não podemos sentar e esperar pela felicidade. Se fossemos eternos poderíamos aguardar pela felicidade. O carro, a casa, o barco, tudo que desejamos poderia um dia eventualmente chegar. Mas como não somos eternos, precisamos aprender a viver, a ser feliz. O ser humano é o único animal que tem consciência dos seus limites. Ele sabe que vai morrer e que seus próximos, aqueles a quem ama, também. Não é possível evitar questionar-se sobre o sentido da vida. Através da sabedoria e da reflexão, os filósofos gregos propunham ideias para lidar com a morte. A mais famosa dela é de Epicuro: “não se deve pensar nela, pois, das duas, uma: ou estou vivo, e a morte, por definição, não está presente, ou então ela está presente, e, também por definição, eu não estou presente para me afligir!”.

Não há nada que perturbe mais o ser humano do que a morte. Somos finitos e a consciência da morte nos desespera. Buscamos soluções para lidar com ela; seja na filosofia ou nas religiões. Luc Ferry traz as diversas interpretações da morte e da salvação que filosofias e religiões trouxeram à luz. Todas como forma de lidar com o abismo que é a morte.

Precisamos aprender a viver, a amar como adultos, a enfrentar as dores da existência e seus questionamentos dolorosos. E como diz o autor, inspirado pelo filósofo Sponville, “devemos esperar menos e amar mais”. O desafio é imenso, uma vida de altos e baixos, de sucessos e frustrações, porém, de profundidade, compreendendo a natureza da vida, de sua impermanência, de sua imprevisibilidade. Através da sabedoria e da reflexão transformamos a vida.

Top 5 Aprendizados

  1. Por sermos finitos o pensamento sobre a vida e o seu sentido não pode ser desprezado.
  2. Dois freios impedem a felicidade humana: o apego pelo passado e pelo futuro.
  3. Precisamos pensar na morte. Não por fascinação mórbida, ao contrário, para procurar fazer o que convém aqui e agora.
  4. A busca pela sabedoria nos amadurece e nos permite viver a vida de forma sincera.
  5. Precisamos aprender a viver.

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Aprender a viver
Luc Ferry
Livros & Negócios 2018 por MINIMAL