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Walter Isaacson

Benjamin Franklin

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O livro do jornalista e escritor americano Walter Isaacson “Benjamin Franklin: uma vida americana” (Companhia das Letras; 608 páginas; Tradução de Pedro Maia Soares; 47 reais) traz a biografia de um dos maiores ícones da história americana. Benjamin Franklin está entre os pais fundadores dos Estados Unidos, com contribuições essenciais para revolução e independência americana.

Walter Isaacson é um autor meticuloso e comprometido. Sua preocupação com os detalhes e uma construção cronológica consistente, produz uma leitura prazerosa, organizada e repleta de pequenas surpresas. O autor diversifica a construção do texto com frases, citações, diálogos e fragmentos de cartas de alguns personagens históricos contemporâneos a Franklin. Embora o livro seja denso, uma obra espessa de 608 páginas, a leitura flui sem entraves, deslizando entre capítulos ricos e didáticos.

Benjamin Franklin figura entre os personagens mais importantes da história americana. Suas contribuições transcenderam a área política impregnando diversos campos do saber: filosofia, ciência, diplomacia e outros. Franklin viveu em uma época de efervescência e convulsão social; um mundo em mutação, onde processos políticos estavam em cheque e a dinâmica do poder estava para tomar novas formas.

Nascido em Boston no dia 17 de janeiro de 1706, Franklin compunha uma família de 17 irmãos. Teve uma educação voltada para o trabalho e vida frugal. O plano de seus pais era encaminhá-lo para a vida sacerdotal, mas Franklin mostrou-se cedo um garoto cético, travesso, curioso e irreverente. Com uma inclinação natural à aventura e desafio, seu pai mudou de planos e o iniciou em sua empresa, uma pequena fábrica de sabão e velas. Franklin era incisivo, não gostava da atividade e indicava certa rebeldia. O pai, Josiah, o encaminhou para um outro filho, James, um impressor treinado na Inglaterra. Franklin mergulhou em sua nova profissão e se apaixonou, mas o relacionamento com o irmão não era dos mais simples e isso levou à fuga de Franklin aos 17 anos.

Em um novo território e sem supervisão da família, Franklin foi ganhando espaço, respeito e conquistou um emprego de impressor. Com o tempo o trabalho deu frutos e ele foi capaz de criar seu próprio negócio. Escritor talentoso e versátil, seu bestseller Pobre Ricardo faria dele um homem rico, com vendas anuais na casa de 10 mil unidades.

Franklin era um homem inquieto e revolucionário, crítico em relação à hierarquias e cargos hereditários, lutava por novos caminhos e abordagens políticas. Ainda jovem criou a Companhia da Biblioteca da Filadélfia que está até hoje em atividade, com um acervo de 500 mil livros e 160 mil manuscritos. Franklin era um cidadão ativo, integrado e comprometido com a sociedade. Criou a junta dos comerciantes, corpo de bombeiros e tantas outras associações beneficentes.

Aos 42 anos se aposentou e passou o controle da gráfica através de um contrato que renderia a ele dividendos para os próximos 18 anos. Essa aposentadoria pensada fazia parte do plano de Franklin de se envolver mais na sua grande paixão: a ciência. Ele tinha um grande amor pela eletricidade, dedicando muitos esforços nesse campo. Sua maior contribuição foi o para-raios, uma novidade para época, um período assombrado por raios que fulminava pessoas, queimavam igrejas e casas. Franklin domou o raio e sua invenção fez dele o homem mais famoso da Europa naquela época. O filósofo Immanuel Kant chamou-o de “novo prometeu” por roubar o fogo dos céus. Mas as contribuições de Franklin não ficariam somente no campo da eletricidade. Ele criou os óculos bifocais, na qual uma lente é para perto e outra para longe, criou aquecedores e também aprimorou sistemas de ventilação. No entanto, seria no campo da eletricidade seu maior impacto. Suas ideias abriram caminhos para as principais descobertas no campo da eletricidade.

A fama de cientista, homem sábio e bem relacionado fez dele peça chave na política americana; período que a América estava submetida à Inglaterra. O clima esquentava entre um acordo ou ruptura definitiva com a coroa inglesa. Franklin foi essencial na diplomacia americana, fazendo intercâmbio entre Estados Unidos e Inglaterra. Por fim a tensão se desenrolou para independência, fazendo de Franklin o personagem mais importante do período, pois ele seria o elo entre Estados Unidos e França. A América buscava na França um aliado forte para rivalizar a Inglaterra. Franklin era um homem respeitado e muito admirado na França, inclusive pelo próprio rei.

Durante seus 84 anos de vida ele foi o melhor cientista, inventor, diplomata, escritor e estrategista de negócios da América do norte, diz Walter Isaacson. Santo padroeiro da autoajuda, Franklin através do seu livro Autobiografia, inspirou o autor Dale Carnegie na construção do livro Como fazer amigos e influenciar pessoas. Sua busca por autodesenvolvimento e máximas marcou o estilo de vida americano, inaugurando a ideia de um self-made man. Um expoente definitivo da filosofia pragmática, Franklin foi considerado por grandes pensadores da época como o maior e único filósofo da América. Com amizades de causar espanto em qualquer um, Franklin tinha fãs de peso como: James Watt, Adam Smith, David Hume, Lavoisier, La Rochefoucauld, Voltaire, Condorcet, Turgot e outros.

Top 5 Aprendizados

  1. A vida pode ser vista muitas vezes como um jogo de xadrez.
  2. Busca por conhecimento e trabalho consistente dá frutos.
  3. Amizades inteligentes e instigantes provocam crescimento.
  4. A vida do ser humano é marcada pela política.
  5. Autodesenvolvimento é uma escolha.
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Benjamin Franklin
Walter Isaacson
  • Ângela MGonçalves Santana

    Amo o material que você posta e sua resenha é perfeita. Poderia fazer uma resenha do mesmo autor sobre Leonardo da Vince? Grata

    • Lucas Conchetto

      Muito obrigado Ângela, pode deixar, estou bem animado para ler a biografia de Leonardo da Vince. Ainda não sei quando vai acontecer a resenha, mas vai sair.

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