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Blink - Malcolm Gladwell

Em “Blink” Malcolm Gladwell discute sobre as decisões que tomamos num piscar de olhos, nossas ações intuitivas e inconscientes. O livro aborda o tema de forma prática ao mostrar quais são os resultados positivos e negativos de nossas escolhas.

Todos os dias tomamos decisões num piscar de olhos, é de nossa natureza agir intuitivamente, principalmente para autopreservação. Mas afinal, no que estão baseadas essas decisões ? O autor nos apresenta diversas razões pelas quais agimos da forma que agimos, porém é bom lembrar que o livro não tem a intenção de tratar o assunto com o caráter e profundidade cientifica, mas de forma prática e dinâmica o livro discute os porquês dessas tomadas de decisão.

A principal razão de tomar decisões intuitivas e rápidas é a falta de tempo e de informação. Em muitos momentos de nossas vidas, ameaças, oportunidades e outras situações exigem de nós velocidade para escolher, caso contrário a vida e a integridade física estão em risco. Então desde muito cedo nosso cérebro trabalha em duas dinâmicas, o pensamento rápido ( intuitivo ) e o pensamento devagar ( analítico ), o pensamento rápido é importante para identificar ameaças, todos os dias somos expostos a diversos riscos, seja no transito, nas ruas, em nossas casas ou em risco de ser atacado por algum animal, e essa situação exige uma decisão rápida, caso contrário pagamos com a própria vida. Dessa forma, toda situação de risco ou tensão fica gravada em nosso cérebro com muito mais intensidade, memórias traumáticas são mais persistentes do que memórias felizes e esse repertório é usado em situação extrema na qual o cérebro comanda no nível inconsciente a ação. Um exemplo disso é dirigir na estrada, todo mundo já fez uma ultrapassagem, e provavelmente todos tem alguma lembrança chata da situação.

Você está atrás de alguém muito lento e está com pressa, seus batimentos sobem, começa a respirar rápido e pesadamente, visualiza a situação e pisa fundo no acelerador. É então que você vê que outro carro está vindo, ainda está distante, mas a situação apresenta risco, seu cérebro consciente desliga e você passa para o piloto automático, pisa ainda mais fundo, joga o carro no acostamento e suspira fundo, foi por pouco.

Alguns meses depois você decide fazer uma ultrapassagem novamente, mas dessa vez fica com mais medo, e é aí que seu cérebro busca aquela memória traumática e antes de tomar qualquer nova decisão, seu coração está ainda mais acelerado, respirando muito rápido, mãos suadas e então você pensa “acho melhor não ultrapassar, parece arriscado”. Nessas situações extremas não conseguimos pensar analiticamente, imagine nesse caso da ultrapassagem, pensar sobre a pista, aderência do pneu, torque do motor e velocidade média do carro, seria impossível para nós.

No livro o autor mostra diversos casos onde profissionais de risco, agem intuitivamente, salvando suas vidas e das pessoas em risco, e em todos os casos, eles não conseguiam explicar por que fizeram aquilo, justamente por aquela decisão estar em uma camada inconsciente. Logo, nosso cérebro vai se tornando mais capaz de tomar decisões melhores, na medida que melhoramos nosso repertório e passamos por situações de stress, sendo assim, a repetição, o estudo e a consistência é essencial para seu cérebro trabalhar bem no modo inconsciente.

O livro conta com muitas abordagens diferentes e disseca vários comportamentos humanos e seus desdobramentos. A leitura é válida e complementa outros livros sobre comportamento humano.

Top 5 Aprendizados

  1. Quanto mais praticamos, mais estaremos aptos a tomar decisões rápidas e acertadas no futuro.
    Na hora de tomar uma decisão complexa, nosso cérebro entra em modo inconsciente e trabalha com nosso repertório e experiências. Sendo assim, quanto mais treinamento e vivência, melhores decisões somos capazes de tomar em situações complexas.
  2. Muitas opções geralmente mais atrapalham do que ajudam.
    Quando temos muito o que escolher, muitas opções, nosso cérebro trava, isso já foi estudado e exemplificado de diversas formas. Quanto mais opções temos, mais perdidos ficamos, pois cada escolha é a negação das outras e as incertezas são muitas. Por incrível que pareça, trabalhamos melhor com menos informação do que com mais.
  3. Há um risco em julgamentos rápidos, principalmente se tratando de pessoas.
    Nosso sistema de julgamento rápido conta com diversas ferramentas e uma delas é a estereotipagem, formamos ideias gerais sobre pessoas, raças, comportamentos e julgamos todas com base nisso. O problema é que esse dispositivo pode ser muito falho e causar muitas injustiças, por isso é muito importante a discussão e a reflexão profunda nesses campos.
  4. O pensamento rápido e analítico tem seus valores e nenhum é melhor que o outro.
    Não há uma maneira certa ou melhor, em cada situação nossa estrutura psicológica trabalha de um jeito. É importante a tomada de consciência sobre essas diferenças, pois isso vai permitir entender seus processos e inclinações. Mais do que tentar manipular esses processos, é saber que eles existem e quando entram em jogo.
  5. Nossas expressões faciais são um espelho de nossas emoções.
    No livro o autor dedica uma seção sobre o tópico, a leitura facial é puramente do cérebro rápido intuitivo, não sabemos explicar, mas entendemos quando uma pessoa está passando mal, está triste ou feliz. Alguns estudiosos se dedicaram a decifrar e catalogar as milhares de expressões faciais e suas conexões com a emoção, o autor aborda algumas delas, o que torna essa seção muito interessante. Podemos ser impassíveis e fingir, mas mesmo assim nosso rosto produz micro expressões que nos denunciam.
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Blink
Malcolm Gladwell
Livros & Negócios 2018 por MINIMAL