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Yuval Noah Harari

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Sapiens - Yuval Noah Harari

O livro do professor Yuval Noah Harari “Sapiens: uma breve história da humanidade” (L± tradução de Janaína Marcoantonio; 464 páginas; 45 reais) trata da trajetória do sapiens desde sua pré-história até o presente momento. Além de apresentar a história da espécie, Yuval busca interpretar os motivos por trás de tamanho sucesso e dominação. O homo sapiens conquistou o planeta e se fez soberano no mundo animal. Delineando o curso da história, provocando severas mudanças ecológicas, extinguindo espécies e hoje tornando-se senhor da sua própria biologia, seu DNA.

Uma espécie pouco expressiva habitava nosso passado ancestral. Há 100 mil anos, grupos de hominídeos percorriam vastas extensões de terra em busca de alimentos, território e segurança. Muitos deles coabitavam o planeta com um hominídeo curioso: o homo sapiens. Esse hominídeo pouco expressivo vivia sua vida pacata, sem causar grandes impactos no mundo e em suas comunidades. Como muitos animais, vivia preso a sua natureza, seu programa existencial; não inovava, não quebrava regras, não transcendia sua natureza. Dentre esses hominídeos estavam o Australopithecus, Homo Habilis, Homo Erectus, Homo Neanderthalensis e outros. Nenhum deles expressivos até o momento, nem o sapiens era digno de nota. Mas por volta de 70 mil anos uma revolução provocou uma mudança severa no modo de ser de um hominídeo em particular: o homo sapiens. Essa revolução é denominada revolução cognitiva. Nesse período o sapiens começou a pensar o mundo de forma abstrata. Ele foi capaz pela primeira vez de criar histórias, ficções, mitos, religiões, etc. Essa transformação essencial, permitiu que pessoas diferentes, conectadas a partir de uma crença em comum, colaborassem entre si, a fim de um objetivo maior. Este fenômeno recebe o nome de realidade intersubjetiva. Mas antes de falar da intersubjetividade, é importante entender outros dois fenômenos: realidade objetiva e subjetiva.

Um fenômeno objetivo existe independentemente da consciência humana. A gravidade, por exemplo, não é um mito. Se uma pessoa acreditar nela ou não, tanto faz, ela continua sendo algo real, objetivo. Caso uma pessoa que não acredita na gravidade pule do primeiro andar de um apartamento, vai sofrer uma queda e um grande impacto, tendo acreditado na existência da gravidade ou não. Um fenômeno subjetivo é algo que existe dependendo da consciência e das crenças do indivíduo. Um amigo imaginário é de realidade subjetiva. O fato de você conversar com um e acreditar na existência dele, não faz deste algo real. Já o fenômeno intersubjetivo é aquela realidade subjetiva, mas agora, compartilhada com diversos indivíduos. Um exemplo da nossa vida cotidiana? O dinheiro. Objetivamente ele não tem valor nenhum. Uma nota de cinquenta reais não serve para comer, mal serve para fazer fogo ou servir de calço para uma mesa bamba. Mas na consciência intersubjetiva, quando todos nós cremos no seu valor, ele passa ser real. O dinheiro é um sistema de confiança mútua. O  dinheiro é o mais universal e eficiente sistema de confiança mútua já inventado. Diferentes culturas, religiões, credos, todos têm um grande apreço por dólares, inclusive inimigos, quando se trata de dinheiro, as barreiras baixam e as pessoas conversam.

Essa capacidade de criar mitos, religiões, instituições, etc., dá ao sapiens um poder muito grande de coesão social, pois há uma evolução cultural em curso durante todo o tempo. Imagine uma colméia de abelhas. Em um determinado dia as operárias se rebelam, matam a rainha e reivindicam direitos iguais, colocando em curso uma revolução do proletariado. Isso não acontece. Os animais não têm essa flexibilidade que é a grande sofisticação do sapiens. Só o sapiens tem essa capacidade de cooperação e flexibilidade. As abelhas são altamente cooperativas, mas elas não flexibilizam, não resolvem problemas, nem mudam o curso e a hierarquia de suas colméias.

Com a revolução cognitiva o sapiens dá um salto e passa ser definitivamente uma espécie expressiva. Sua segunda e notável revolução foi a revolução agrícola. Em torno de 12 mil anos o sapiens fixou moradia e abandonou suas dinâmicas de caçador-coletor. Passou explorar a terra e cultivar sementes. Essa mudança permitiu um crescimento populacional impressionante. Os caçadores-coletores transitavam em grupos pequenos e coesos. Todos se conheciam e interagiam de forma íntima. Por dispositivos naturais, o corpo libera menos hormônios e diminui sua fertilidade em ambientes de pouco alimento. Com o progresso da agricultura, embora a dieta empobreceu, foi possível alimentar mais bocas. Os filhos eram úteis também pois somavam mãos ao trabalho braçal da lavoura. O estresse representado pela agricultura teve consequências importantes. O sapiens até a revolução cognitiva não pensava no futuro e não fazia planos. Com a agricultura veio o planejamento, ansiedade e muitas preocupações. Problemas como seca, inundações, pestes, roubos, guerras, pilhagens, etc., perturbavam o camponês. Essas preocupações logo geraram toda uma estrutura: milícias, exércitos, cidades, canais, moeda, etc. A revolução agrícola gerou cidades, estados, impérios e uma busca incessante por desenvolvimento e conquistas.

A terceira grande revolução, viria para transformar definitivamente o mundo e elevar o sapiens ao nível dos deuses; a revolução científica. Nesse período a humanidade entrou em uma corrida por progresso, conhecimento, riquezas e poder. Navios cruzavam o planeta em busca de novas terras, riquezas e poder para seus reis. A percepção da ignorância ficava cada dia mais nítida. E a corrida por conhecer o mundo e criar soluções criava uma roda que retroalimentava-se. O poder e a riqueza permitia pesquisas e novas explorações, que por sua vez trazia mais inteligência e inovações, que por sua vez resultava em mais poder e riqueza. Essa corrida que acontece ao longo dos últimos 500 anos mudou profundamente o mundo. Deu forma para o que conhecemos hoje como realidade: máquinas, indústrias, bombas, poderio militar, remédios, cirurgias e transplantes avançados, satélites, sondas, espaçonaves, etc.

Ler “Sapiens” do autor Yuval Noah Harari é presentear-se. É o tipo de livro que causa espanto, desconfortos e muitos choques. Não tem como sair ileso dessa leitura. A abordagem do autor desmonta mitos e desconstrói muitas verdades ao longo da leitura. O livro figura hoje na lista dos mais vendidos, o que é algo feliz e impressionante. Essa obra tem a capacidade de atiçar mentes e fazer do leitor alguém pensante e mais tolerante.

Top 5 Aprendizados

  1. O ser humano é um ser em potencial.
  2. Pouco do que vivemos é de realidade objetiva; vivemos mais no mundo da intersubjetividade.
  3. A vida moderna exige de nós mais do que a nossa biologia é capaz. (foco, grande memória, raciocínio lógico complexo)
  4. O Homo sapiens é uma espécie violenta. (conquistas, escravidão, massacres, extinção, etc.)
  5. Convivemos bem na medida que compartilhamos crenças. (seja qual for: religiosas, ideologias, seja acreditar na democracia, no humanismo, no capitalismo, etc.)
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Yuval Noah Harari
Livros & Negócios 2018 por MINIMAL