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Jeff Sutherland - Scrum

O livro do consultor e co-criador da metodologia ágil Jeff Sutherland “Scrum: a arte de fazer o dobro do trabalho na metade do tempo” (Editora Casa Da Palavra: tradução de Natalie Gerhardt; 240 páginas; 29 reais) discute a metodologia scrum, um processo de gestão de projetos que integra pessoas, horizontaliza o trabalho, busca o ajuste e a melhoria em cada fase do projeto.

O Scrum foi desenvolvido e aprimorado ao longo dos anos para o ambiente tecnológico. Quando tomamos conhecimento desse processo de gestão fica claro o porquê dele ter nascido no ambiente de desenvolvimento de software. O ambiente tecnológico é muito veloz, empresas que perdem o timing são arrasadas pela concorrência; por isso é fundamental um pensamento dinâmico e uma metodologia ágil. Nesse ambiente fértil muitas ideias foram exploradas, mas foi no Scrum que os autores encontraram um modelo produtivo e de rápida implementação. O termo “scrum” vem do rúgbi, esporte em equipe muito intenso e competitivo – o scrum é a forma que a equipe se integra para avançar com a bola em campo.

O termo está em harmonia com a metodologia, pois no scrum tudo deve funcionar em equipe. Ninguém deve deter toda a força e o poder das decisões; todos membros da equipe participam de todos processos, do começo ao fim; não se procura culpados, mas sim sistemas ruins que culminam em práticas e resultados ruins.

O scrum ultrapassa outras metodologias, uma vez que seu espírito é dinâmico e está alinhado com a velocidade do mundo atual, nele não se busca planejar demais um projeto, mas apenas fazer estimativas. Não se deve pensar em grandes entregas ou processos amarrados onde muitas equipes trabalham separadas na busca de compor um grande projeto. Essa metodologia busca organizar o que é essencial no projeto, quebrando o desenvolvimento em pequenas fases, sempre com prazo definido. Dessa forma é possível no final do período ter algo testável, pronto para ser validado e adaptado na próxima fase.

No processo a primeira fase é definir a equipe, Sutherland afirma que 7 pessoas é o número ideal. Equipes maiores são complicadas de gerir e a comunicação se perde, o autor afirma que “quanto maior a saturação de comunicação, ou seja, quanto mais todos sabem de tudo, mais rápida é a equipe”, dessa forma, se temos muitas pessoas, o trabalho passa ser o de manter as pessoas informadas e em sintonia. Com a equipe estabelecida, temos dois indivíduos que marcam a liderança, o dono do produto, aquele que tem total domínio sobre o projeto e cria uma ponte entre o cliente e os membros do time, sua função é pensar estratégias e manter o projeto coerente. O outro é o mestre scrum, este é responsável por manter a equipe integrada ao espírito da metodologia, criando o cenário ideal para que o processo funcione.

Com o time e os líderes definidos, começa-se a busca por levantar as pendências (lista de pendências ou backlog). Uma vez que todas as pendências estão definidas, ou seja, tudo que precisa ser feito para que o projeto aconteça, o time decide quais tarefas serão realizadas primeiro. É importante entender que cada tarefa é anotada em um post-it, colado na parede em uma coluna definida como “pendências”. Outras colunas são desenhadas e juntas elas compõem a seguinte sequência: 1) pendências 2) fazendo 3) verificação 4) feito – como na imagem deste link.  Nesse momento é agrupado um conjunto de tarefas, no scrum isso recebe o nome de sprint. Todos sprints devem ter um tempo determinado, nunca passando de 1 mês, pois isso estenderia o tempo de produção e a dimensão do que é importante se perde. Quando o bloco de tarefas é concluído (sprint), o time se reúne e discute tudo que deu certo e tudo que deu errado. Isso recebe o nome de retrospectiva do sprint e o resultado é adaptação do método e melhoria nos resultados.

O outro elemento fundamental do scrum são as reuniões diárias, stand up meeting, reuniões que acontecem em pé e não devem durar mais de 15 minutos. Por que de pé? Isso força a velocidade e quebra os diálogos bobos, assuntos que fogem ao projeto e ao trabalho. Além disso, é difícil ficar em pé muito tempo em círculo com outras pessoas no trabalho – o resultado é agilidade e foco. Todas as reuniões devem trazer 3 perguntas, elas são fundamentais no processo ágil scrum: 1) O que você fez ontem para ajudar a equipe a concluir o sprint? 2) O que você vai fazer hoje para ajudar a equipe a concluir a sprint? 3) Existe algum obstáculo impedindo você ou a equipe de alcançar o objetivo do sprint?.

As perguntas provocam a reflexão e criam um hábito diário de organização do projeto e da comunicação do time. Além disso, é importante que as pessoas tomem conhecimento dos processos; pensar nas respostas força o indivíduo a resolver problemas e trazer soluções.

O scrum não se limita ao desenvolvimento de software e essa parece ser a missão do autor em seu livro. A metodologia tem sido explorada em diferentes campos pelo mundo e com muito sucesso – desde educação à construção de foguetes. Em última análise o scrum se comunica bem com o mundo atual, que exige velocidade e inovação a cada minuto.

Top 5 Aprendizados

  1. Ciclo de adaptação.
    De tempos em tempos pare de fazer o que está fazendo, revise o que fez e pense se ainda deveria estar fazendo isso e como poderia fazê-lo melhor.
  2. Precisamos aprender apreciar a jornada; não só o final dela.
    Quando focamos no grande objetivo, tendemos a perder a sensibilidade para o presente. Isso causa diversos distúrbios, inclusive, a ansiedade. Precisamos refletir bastante sobre o presente, e aprender a apreciar o percurso.
  3. Não planejar demais, apenas faça estimativas.
    Planejamentos excessivos são quase impossíveis de gerenciar no mundo real. O mundo é tão diverso e a vida tão imprevisível que rapidamente os planos precisam ser adaptados e todo trabalho de planejar pequenos detalhes vai para o ralo.
  4. Pensar em pequenas entregas.
    Quando o problema for grande, quebre ele em pequenas parte. Parte que sozinhas correspondam a algo testável, apreciável.
  5. O líder tem que ser um potencializador para sua equipe, sua função é abrir caminho, diminuir o ruído, remover obstáculos.
    O líder tem duas grandes funções: abrir caminho para a equipe e pensar estrategicamente. Líderes que se perdem em outras competências atrapalham a equipe e perdem no curto, médio e longo prazo.
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