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Tom Vanderbilt

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Talvez Você Também Goste - Tom Vanderbilt

Em “Talvez Você Também Goste” Tom Vanderbilt traz um estudo atual e rico do porquê gostamos do que gostamos. Com assuntos atuais, o autor discute sobre nossas preferências, da comida à escolha de filmes na Netflix. Em uma era de superabundância de informação, quais são nossos critérios de escolha? Por que gostamos do que gostamos?

A complexidade para entender por que gostamos do que gostamos perseguiu diversos filósofos ao longo dos séculos. Os maiores pensadores da humanidade tinham uma pulga atrás da orelha sobre nossas preferências, algo tão difícil de entender e descrever, mas tão categórico; gostamos ou não gostamos. Gostamos do sabor ou cheiro de algo, mas perguntados por que, mal conseguimos explicar. Vanderbilt diz que isso está intrinsecamente ligado a verbalização de nossos sentidos, quanto mais o indivíduo está munido de um léxico rico, melhor ele consegue descrever e apreciar uma ampla variedade de coisas. Mas é claro que isso é só a pontinha do iceberg, pois nossos gostos recebem camadas e mais camadas de significados. Associar um sentido – gosto, cheiro, tato a uma memória ou palavra, é o que o autor define como preferências construídas. Ao longo do nosso contato com o mundo, vamos construindo nossos gostos, vinculando-os a memórias e a tantos outros significados.

O campo dos gostos é rico e profundo, experimentos realizados com bebês, com pouco tempo de vida e um contato restrito com as pessoas e com o mundo, demonstra claramente os gostos em relação à pessoas ou alimentos. Em um estudo, os bebês escolhem entre duas comidas. Depois são exibidas marionetes gostando ou desgostando das mesmas comidas que os bebês escolheram. Quando as marionetes eram apresentadas aos bebês eles preferiam as que gostavam da comida que eles gostavam. Essa inclinação por gostar de quem compartilha nossos gostos é visível já nos pequenos e persiste ao longo da vida. O viés social é marcante no livro e através das pesquisas e referências o autor deixa evidente o quanto o gosto está ligado aos outros, e o quanto os outros estão ligados a nós, pelos nossos gostos.

Nossos gostos nos ajudam a definir quem nós somos, não só por um ideal individual, mas por sermos bem vistos em diferentes grupos que participamos. Ao longo de nosso crescimento, por exemplo, as preferências musicais mudam de forma profunda. Na adolescência o gosto musical é sempre marcado por uma forte tendência por participar de grupos, assumir uma causa, algo que define identidade. Com o passar do tempo, entramos para novos grupos, participamos de momentos diferentes, e começamos a criar novos gostos, quase sempre alinhados ao grupo, ou a crença que temos sobre o momento que vivemos. Um indivíduo que sempre ouviu pop, mas com o passar do tempo passou a ser um leitor voraz, consumindo profundamente os clássicos da literatura, tende a abandonar o pop gradualmente e assumir novos gostos, gostos esses que se enquadrem no novo ideal de ser, algo alinhado a seus gostos literários.

A marca mais profunda que o livro de Vanderbilt deixa é o quão intensa é a participação da sociedade em nossos gostos. Munido de diversas pesquisas e referências a sociólogos renomados, o autor demonstra em diversos campos, como nossos gostos estão condicionados aos outros – ou na oposição direta aos gostos dos outros.

Um grande exemplo sobre o gosto como algo social, é o caso da cerveja. Dificilmente alguém quando bebe cerveja pela primeira vez, salve a bebida, garantindo que ela é deliciosa, imperdível. Todos têm uma certa reserva sobre a bebida, mas com a repetição, e insistência ela ganha espaço. A questão é: por que insistimos no que não gostamos de primeira? Se aquilo que não gostamos tem um significado, nós aprendemos a gostar, pois aquilo nos garante espaço no grupo. A cerveja, mais do que sabor, tem grande valor simbólico, principalmente por ser uma bebida amarga, e que esteve ao longo da história ligada à masculinidade, com a quebra simbólica da infância ou adolescência.

Em uma tendência a repetir os padrões, nós gostamos do que lembramos, e lembramos do que gostamos. Ao longo da vida vamos trocando de gostos, mas o porquê está sempre ali, seja em uma memória, na pressão ou aprendizado social. Os gostos nos definem como indivíduos e como entes da sociedade. Um gosto pode ter um quê de chique, ou de descolado, underground. Contudo, o gosto sempre será uma expressão social, mesmo que muito único ou individual.

 Top 5 Aprendizados

  1. Aprendemos a gostar do que as pessoas que gostamos gostam
    Muitas vezes aprendemos a gostar de coisas que pessoas que nos interessam gostam. Por desejo de criar vínculo ou pontos em comum, nós passamos a compartilhar gostos, quase sempre inconscientemente. Esses gostos compartilhados unificam as pessoas, criam identidade e aproximação.
  2. Muitas vezes o gosto é uma expressão, uma forma de criar identidade
    Uma boa maneira para entender isso é pela música. Muitos adolescentes, têm aquele estilão rebelde, punk rock ou rapper, mas quase sempre atrás desse gosto está uma atitude de quem quer definir identidade, romper com algumas ligações, ganhar autonomia.
  3. Gostamos do que lembramos
    Geralmente gostamos do que lembramos. Se uma comida nova não remete a nada, e não associamos ela a nada, dificilmente nós vamos nos lembrar e consumi-la novamente.
  4. Somente em sociedade interessa ter gosto
    O gosto, quase em sua totalidade só serve em sociedade, fora dela não tem utilidade. O carro, roupa, casa ou a viagem, pouco importam sem ninguém para exibir ou muitas vezes competir conosco. Quantas coisas não seriam abandonadas se houvessem bem menos olhos para nos ver. Quantos gostos seriam abandonados?
  5. Nossos gostos são socialmente construídos
    Na infância costumamos gostar do que nossos amigos gostam. Na vida adulta não é diferente. Gostamos do que nossos ídolos gostam. Podemos não gostar em um primeiro momento, por exemplo, de um corte de cabelo, mas quando ele fica na moda, inicia-se uma pressão, e que muitas vezes nos compele a assumir aquele novo estilo. E muitas vezes nós começamos a gostar da escolha e assumir essa nova identidade. O que não era gosto, virou gosto, e isso condicionado pelo aprendizado social.
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Lucas Conchetto - 2018