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Tomada de consciência

Tomada de Consciência

Ao longo da história grandes mestres deixaram seu legado através de sua sabedoria. Seus aprendizes eram sempre direcionados para seu próprio interior, onde o mestre buscava forçar a tomada de consciência em seus seguidores. Não existe receita e tão pouco guia garantidor de boa vida, pois o que funciona para um, não funciona tão bem para o outro. O indivíduo precisa então se conhecer. A tomada de consciência é fundamental para aprender a viver, do contrário, estaremos constantemente em um estado de dormência, zumbificados. A autoconsciência é a capacidade de perceber nossos humores e tendências, as motivações para a alegria ou tristeza, entender mais sobre quem somos e porque agimos como agimos.

Em 1645 o samurai Miyamoto Musashi deixou um legado, seu manuscrito “O livro dos cinco anéis”. O livro é repleto de reflexões profundas, sempre voltadas para a tomada de consciência e desenvolvimento pessoal. Em um trecho do livro, Musashi diz: A valorização excessiva de um objeto resulta em ineficácia. Não se deve nunca imitar os outros, e sim possuir armas adequadas à própria capacidade”. Aquele que não se conhece, busca imitar o outro, e assim não adquire consciência de quais são as armas adequadas à própria capacidade. Quando enfrenta os desafios do dia a dia, não tem ferramentas alinhadas à suas habilidades, caindo em situações difíceis e dolorosas. Nessas situações, sai machucado e infeliz, sentindo-se incompleto e insuficiente para o mundo.

A tomada de consciência não é simples, e não é um lugar onde chegamos e podemos colocar os pés para o alto. Como tudo está em constante mutação, nossos gostos e humores também vão se modificando durante a vida. A busca pela autoconsciência passa ser um modo de viver, um ferramental, uma maneira de encarar o mundo e estar aberto à transformação.

A reflexão, a leitura e o meditar sobre nossos atos são caminhos poderosos para o desenvolvimento da autoconsciência. Essa prática não trata a priori de reprimir as condutas diárias, mas sim entender seus porquês. Porque perdemos a linha; porque perdemos o negócio; porque de arrumar aquela briga no trânsito e por aí vai. Na reflexão diária começamos a entender um pouco do nosso temperamento. Descubro que se estou com fome fico mais chato, posso evitar entrar em discussões quando com fome; então assumo uma estratégia de silêncio. Se pelas manhãs sou chato e mal humorado, mas nos fins de tarde sou alegre e animado, posso desenhar meus dias e meus contatos com o mundo a partir desses conhecimentos sobre mim.

Todo esse processo é lento, mas muito curioso e recompensador. É engraçado quando você começa entender seus gatilhos, seus vícios. Começa antecipar suas atitudes, sabe como vai se comportar em certas situação e depois de um episódio sabe porque aquilo vai te fazer bem ou mal. Essa tomada de consciência ajuda o indivíduo potencializar sua vida, seja nos relacionamentos ou no desenvolvimento pessoal.

Não se trata de uma solução para ser feliz, mas um estilo de viver, um caminho para agir com assertividade e olhos no desenvolvimento pessoal. Essa sempre foi a prática e busca dos grandes mestres, um caminhar diário e constante rumo a mais um progresso.

Lucas Conchetto - 2018