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Don Tapscott E Anthony Williams

Wikinomics

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livro wikinomics

Em “wikinomics” os autores Don Tapscott e Anthony Williams apresentam uma grande pesquisa sobre digital, negócios e economia. Através do pensamento do compartilhamento, da sabedoria das multidões e do fluxo aberto e pouco hierárquico da internet, os autores apresentam novas oportunidades e modelos de negócios.

O termo wikinomics é inspirado no software web “wiki” que abriu diversas possibilidades de gestão de conteúdo e comunidades, e que por sua vez, vem da palavra havaiana “wiki” que significa “rápido”. Com a entrada da plataforma wiki, várias empresas, comunidades, universidades passaram explorar o software, embora de maneira tímida; pouco expressiva. O conceito foi ficar conhecido e difundido com a Wikipédia, que através de um modelo rápido, dinâmico e aberto de gestão de conteúdo mudou de uma vez por toda o conceito de informação na web. Em poucos anos a Wikipédia se transformou no maior acervo de informação da internet, com uma comunidade ativa e comprometida com a manutenção e conservação de conteúdo de qualidade. Com o avanço da tecnologia e sua respectiva democratização, tivemos uma entrada em massa de centenas de milhões de usuários. Muitos desses usuários ávidos para conhecer mais das ferramentas, compartilhar seus conhecimentos e fazer parte de uma comunidade. 

Os autores marcam o início da leitura ao mostrar as possibilidades de explorar o oceano de mão de obra altamente qualificada que existe pelo mundo, mas que antes era pouco explorada por não existir meios simples e dinâmicos de comunicação. O case é da Goldcorp, uma empresa de extração de ouro que vinha sofrendo diversas crises, greves, altos custos de extração e pouca exploração das jazidas – tudo indicava uma iminente falência. Nesse período conturbado o CEO da Goldcorp estava lendo e descobriu a história de Linus Torvalds, o fundador do Linux que com toda sua inteligência teve a sacada de criar um sistema operacional livre, com programadores descentralizados e uma comunidade ativa pouco hierarquizada. Isso o inspirou a lançar o desafio Goldcorp e oferecer 500 mil dólares a quem descobrisse novos métodos de exploração dos dados e ferramentas da Goldcorp. Foi assim que a Goldcorp abriu seu banco de dados, informações sempre restritas guardadas à sete chaves pela indústria. Não demorou para muitos cientistas, engenheiros, hackers e outros indivíduos se inscreverem. Passado pouco tempo os resultados apareceram e iniciaram uma revolução na história da Goldcorp que nos próximos anos saltaria de um faturamento de 100 milhões para 9 bilhões. Os autores gostam muito desse case pois ele explora tudo de melhor que a internet tem para oferecer; uma linha aberta e de fácil comunicação, um ambiente pouco inclinado à títulos e muito mais voltado a resultados e participação. No desafio Goldcorp a empresa investiu pouco capital, abriu o desafio para milhares de pessoas altamente capacitadas e que de outra maneira não teriam criado nenhum vínculo com a Goldcorp. Seria impossível para Goldcorp contratar tantas pessoas e comandar uma equipe tão diversa e ampla de P&D. 

Ao longo do livro os autores se servem de diversos cases ao estilo Goldcorp, sempre a exemplificar seu conceito “wikinomics” que são baseados em 4 pilares: abertura, peering, compartilhamento e ação global. O primeiro caso citado, o case Goldcorp é um exemplo claro de abertura. Vindo de um ambiente fechado, conservador, a Goldcorp explora essa ousada opção – abrir sua base de dados, históricos, plantas, detalhes técnicos, etc.

O segundo pilar é o peering, um conceito também emprestado da tecnologia, onde duas ou mais partes se conectam, compartilham e geram resultados. O case de peering mais marcante do livro é o sistema operacional Linux. Em uma indústria altamente competitiva, com jogadores agressivos e dominantes, Linus Torvalds e uma porção de hackers criaram um sistema que dominaria a indústria de servidores, mudando completamente o cenário comercial do setor. O Linux é um sistema robusto, seguro e amplamente difundido pelo mundo. A comunidade Linux é aberta, qualquer programador pode baixar seus arquivos fontes e participar, e foi assim que ao longo de anos o sistema se desdobrou e ganhou um espaço brutal no mundo. Essa dinâmica de trabalho em ambiente compartilhado, pouco hierarquizado e totalmente descentralizado é definido pelos autores como peering.

O próximo pilar será o compartilhamento, não ficando restrito à propriedade intelectual, indo também para o campo de infraestrutura e hardware. Existem, por exemplo, projetos na web que utilizam milhares de computadores da comunidade, utilizando sua massiva força computacional para calcular e processar dados de DNA ou mesmo de astronomia.

O último pilar é a ação global; por estarmos conectados à web, estamos a distância de um clique. Dessa forma as empresas, comunidades e outras instituições podem explorar uma rede enorme de pessoas para alcançar grandes resultados. Outro case explorado no livro é o da P&G, que há muitos anos vinha cambaleando em pesquisa e desenvolvimento, com um contingente de 7 mil pesquisadores, mas com resultados insatisfatórios. Decidiram abrir uma plataforma e oferecer dados à comunidade de cientistas que em contrapartida trariam pesquisas atualizadas e pertinentes aos problemas da P&G. Dessa forma a área de pesquisa e desenvolvimento da P&G saltou de 7 mil para 90 mil cientistas que hoje integram a equipe e entregam valor à empresa.

Top 5 Aprendizados

  1. Lute para ser o melhor naquilo que os clientes mais valorizam e forme parcerias para fazer todo o resto.
    Tem dificuldades para fornecer todas as soluções para seus clientes? Os autores sugerem focar no que é essencial para os clientes e se associar a bons parceiros que complemente suas entregas. Dessa forma é possível oferecer uma entrega completa, cuidando em casa dos pontos essenciais da relação com cliente.
  2. Em alguns casos, lançar desafios e premiar as soluções adequadas, pode ser mais rentável que resolver todos problemas em casa.
    Muitas empresas perdem muito capital buscando contratar muitos funcionários para suprir todas suas necessidades. O conceito “wikinomics” sugere explorar a enorme oferta de mão de obra disponível da web, oferecendo prêmios para os melhores resultados.
  3. A abertura abre oportunidade para o trabalho e para as empresas, mas o trabalhador fica mais exposto.
    A “wikinomics” é sem dúvida financeiramente mais positiva para empresas, principalmente os grandes grupos. Temos o caso Goldcorp que teve centenas de inscrições e só retribuiu as que foram excelentes. Todos participantes trabalharam e se esforçaram, mas só alguns foram premiados e recompensados. Diferente de outros cenários que a empresa precisava ter muitos pesquisadores contratados sendo que boa parte do tempo eles não traziam bons resultados, esse modelo permite ter uma oferta monstruosa de soluções, dando a empresa o poder de servir-se das melhores e assim gastando somente com essas.  
  4. A era digital exige uma nova liderança pois seus desafios são enormes.
    A era digital traz muitos novos desafios. O estilo de gestão vindo da indústria não funciona bem e limita a criatividade. Estamos entrando em uma era que o trabalho é predominantemente criativo e para tal os funcionários precisam de líderes competentes e ambientes flexíveis.
  5. O fenômeno “wikinomics” é poderoso, mas ainda é um tanto quanto imprevisível; não serve como um método claro para obter resultados.
    O Wikinomics é sensacional nos cases apresentados e como conceito, contudo, aplicá-lo com resultados previsíveis em uma empresa ou projeto é impossível. Como depende do humor do público e sua adesão, é muito difícil estimar se as estratégias wikinomics trarão resultados positivos.
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Wikinomics
Don Tapscott E Anthony Williams
Livros & Negócios 2018